Comparar plano odontológico só pelo valor da mensalidade é a forma mais rápida de contratar errado. Dois planos com o mesmo preço podem cobrir coisas muito diferentes, e o mais barato costuma ser o que exclui exatamente o procedimento que levou você a procurar um plano.

Os quatro fatores que movem o preço

1. O que está coberto

Um plano de rotina — consulta, limpeza, restauração, raio-X, urgência — é sempre o mais barato, porque o custo médio por vida é previsível. Quando entram canal, periodontia e extração, o risco sobe. Quando entram prótese e ortodontia, sobe de novo: são tratamentos longos, caros e usados por quem contratou justamente para fazê-los.

2. Quantas vidas entram no contrato

O preço por pessoa cai conforme o grupo cresce. É por isso que colocar a família inteira no mesmo contrato costuma custar menos que dois planos individuais, e por isso um contrato empresarial com dezenas de vidas tem valor por pessoa que nenhum plano individual alcança.

Dica do Jamil

Se você tem CNPJ — inclusive MEI —, peça também a cotação empresarial. Na maioria das operadoras ela sai abaixo do individual e ainda costuma vir com carência reduzida.

3. Como você contrata

Individual, familiar, coletivo por adesão (via entidade de classe) ou empresarial. Cada modalidade tem regra própria de reajuste e de carência, e a diferença de preço entre elas para a mesma cobertura pode ser grande.

4. A rede credenciada

Rede maior e com clínicas em bairros centrais custa mais caro que rede enxuta. Se todos os dentistas credenciados ficam a uma hora da sua casa, o plano barato vira plano não usado — e plano não usado é caro por definição.

Como comparar duas propostas sem se enganar

Coloque as duas lado a lado e responda, para cada uma, às mesmas cinco perguntas:

PerguntaPor que ela decide
O procedimento que eu quero fazer está coberto?Se não estiver, o resto da comparação não importa.
Qual é a carência dele?Define quando você realmente começa a usar.
Quantos dentistas credenciados existem no meu bairro?Rede distante é cobertura no papel.
Há coparticipação?Muda o custo real de cada consulta, não a mensalidade.
Como funciona o reajuste?O preço do primeiro ano não é o preço do contrato.
Atenção

Coparticipação é o custo que não aparece na mensalidade. Um plano com mensalidade baixa e coparticipação alta pode sair mais caro que um plano completo se você usar com frequência — e é justamente quem tem tratamento em andamento que usa com frequência.

O cálculo que quase ninguém faz

Antes de decidir pelo mais barato, some o que você pretende fazer nos próximos doze meses e compare com o valor particular desses mesmos procedimentos na sua cidade. Um único tratamento de canal com coroa costuma custar, em consultório particular, várias vezes o valor de um ano de mensalidade. Quem faz essa conta raramente contrata o plano mais barato: contrata o que cobre o que vai usar.