- Urgência e emergência odontológica são atendidas desde o primeiro dia de vigência — nenhum plano pode cobrar carência por dor aguda, trauma ou hemorragia.
- Consulta, limpeza e raio-X costumam liberar em 30 dias; canal e extração em 90; prótese e ortodontia em 180.
- A carência conta a partir da data de início da vigência, não da data em que você preencheu a proposta.
- Dependente incluído depois cumpre a própria carência, contada da inclusão dele.
Quase todo arrependimento com plano odontológico nasce do mesmo lugar: a pessoa contratou achando que usaria no dia seguinte e descobriu que faltavam três meses para o procedimento de que precisava. Carência não é pegadinha — é a regra que impede que o plano seja contratado só no dia da dor, o que encareceria a mensalidade de todo mundo. Mas ela precisa ser entendida antes da assinatura, não depois.
O que é carência, em uma frase
Carência é o intervalo entre o início da vigência do contrato e o momento em que cada procedimento passa a ser coberto. Cada grupo de procedimentos tem o seu prazo, e eles correm em paralelo: no dia 30 você já faz a consulta enquanto o canal ainda está contando até o dia 90.
A cobertura de urgência e emergência odontológica é obrigatória a partir de 24 horas da vigência do contrato. É o único prazo que a operadora não pode esticar, e vale para dor aguda, trauma, hemorragia e infecção.
Os quatro prazos que aparecem em quase todo contrato
Imediato — urgência e emergência
Se o dente quebrou, se há sangramento que não para ou se a dor não passa com analgésico, o plano atende. Esse atendimento resolve o quadro agudo: o dentista alivia a dor, drena, faz o curativo. O tratamento definitivo que vier depois — o canal, a coroa — segue a carência do próprio procedimento.
30 dias — a rotina
Consulta de avaliação, profilaxia (a limpeza), aplicação de flúor e radiografias simples. É o pacote que mantém a boca sob controle e o que a maioria das pessoas usa com mais frequência.
90 dias — o tratamento clínico
Restaurações mais complexas, tratamento de canal, extrações e o tratamento de gengiva. É a faixa onde mora o procedimento caro que motiva a maior parte das contratações.
180 dias — o que exige planejamento
Próteses e ortodontia. São tratamentos longos, que começam com documentação e se estendem por meses, e por isso carregam o prazo mais alto.
Carência e cobertura são coisas diferentes. Um procedimento pode ter carência cumprida e mesmo assim não estar coberto, porque não faz parte do plano que você contratou. Confira as duas listas antes de assinar, não só a dos prazos.
Quando a carência pode ser reduzida ou dispensada
Três situações mudam o jogo:
- Portabilidade. Quem já cumpriu carência em outro plano pode levar o tempo cumprido para o novo, desde que respeite as regras de prazo mínimo no plano de origem e a compatibilidade entre os produtos.
- Planos empresariais. Contratos coletivos com número relevante de vidas costumam entrar com carência reduzida ou zerada — é uma das razões pelas quais vale contratar pelo CNPJ quando existe um.
- Campanhas comerciais. Operadoras às vezes dispensam a carência de rotina em janelas promocionais. É legítimo, mas precisa estar escrito na proposta; promessa verbal de corretor não vale nada em caso de negativa.
Como conferir isso no seu contrato em cinco minutos
- Procure a cláusula chamada "prazos de carência" ou "início de cobertura".
- Confirme a data de início da vigência — é dela que os prazos correm.
- Localize o procedimento que você pretende fazer primeiro e veja em qual faixa ele cai.
- Verifique se a rede credenciada da sua cidade atende esse procedimento.
- Guarde o número da proposta: é ele que resolve qualquer divergência depois.
